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PRIMEIRA LEITURA: Atos dos Apóstolos 10,25-26.34-35.44-48

SALMO RESPONSORIAL: Salmo 97 (98)

SEGUNDA LEITURA: 1 João 4,7-10

SANTO EVANGELHO: João 15,9-17

*TEMA: DEUS É FONTE DE AMOR QUE NOS É COMUNICADO POR JESUS CRUCIFICADO E RESSUSCITADO*

A Palavra de Deus neste Sexto Domingo da Páscoa expõe, diante dos nossos olhos, a “rede” de amor que atravessa toda a história da salvação: *Deus é a fonte primeira do amor;* Jesus comunica aos homens e mulheres que devem também testemunhar o amor do Pai.

A segunda leitura confirma que Deus é a origem do amor (“Deus é amor”) e que foi d’Ele que partiu essa corrente de amor que nos alcançou, em Jesus e por Jesus.

Nós, transformados por esse amor, podemos agora aproximar-nos de Deus, conhecer a Deus e tornarmo-nos filhos de Deus.

No Evangelho, Jesus, em contexto de despedida, deixa aos discípulos “o seu” mandamento fundamental: *“amai-vos como Eu vos amei”.* Eles são os “amigos” a quem Jesus amou até o fim e revelou o amor do Pai.

Os discípulos têm a missão de testemunhar, no mundo e na história, o amor aprendido com Jesus.

A primeira leitura afirma que a salvação oferecida por Deus através de Jesus Cristo, e levada ao mundo pelos discípulos, se destina a todos os homens e mulheres, sem exceção.

Para Deus, o que é decisivo não é a pertença a uma raça ou a um determinado grupo social, mas sim a disponibilidade para acolher o amor de Deus e para dar testemunho desse amor.

Os primeiros cristãos, oriundos do mundo judaico e marcados pela mentalidade judaica, consideravam que a salvação era, sobretudo, um dom de Deus para os judeus; os pagãos poderiam eventualmente ter acesso à salvação, desde que se convertessem ao judaísmo, aceitassem a Lei de Moisés e a circuncisão.

Mas o Espírito Santo, derramado sobre Cornélio e a sua família, veio mostrar que a salvação oferecida por Deus, trazida por Jesus e testemunhada pelos discípulos, não é património ou monopólio dos judeus ou dos cristãos oriundos do judaísmo; mas é um dom oferecido a todos os que têm o coração aberto às propostas de Deus.

Deus vê todos os homens e mulheres como seus filhos e suas filhas muito queridos. Ele ama a todos por igual, com um amor sem limites. O seu grande desejo é vê-los caminhar pela vida, livres e felizes, até ao encontro final com Ele.

Deus oferece a salvação a todos: chama-os, fala-lhes, abraça-os, indica-lhes os caminhos que devem percorrer, apoia-os e sustenta-os ao longo da caminhada, mostra-lhes a meta a alcançar.

O Batismo foi, para todos nós, o momento do nosso “sim” a Deus e à sua oferta de salvação; mas é preciso que, em cada instante, renovemos esse primeiro “sim” e que vivamos numa permanente disponibilidade para acolher Deus, as suas propostas, os seus dons, o seu amor.

Para João, há certeza de que “Deus é amor”. Isso significa que a característica mais marcante do ser de Deus é o amor e que a atividade mais específica de Deus é amar.

A prova indesmentível de que Deus é amor é o fato de Ele ter enviado o seu único Filho ao encontro dos homens para lhes dar a Vida.

A vida de Deus que enche os corações dos crentes deve manifestar-se em gestos concretos de solidariedade, de serviço, de dom, em benefício de todos os irmãos.

A relação do Pai com Jesus é o modelo da relação que Jesus pretende manter com os discípulos. O Pai, fonte de amor, “mandou” o Filho salvar os homens de tudo aquilo que lhes roubava a Vida; e o Filho amou os homens “até ao extremo” e deu a sua própria vida para que os homens tivessem Vida em abundância. Por amor, Jesus cumpriu integralmente os “mandamentos” do Pai.

Da ação de Jesus nasceu o Homem Novo, livre do egoísmo e do pecado, capaz de estabelecer novas relações com os outros homens e com Deus. Os discípulos são o fruto da obra de Jesus. Eles nasceram do amor do Pai, amor que se fez presente na ação, nos gestos, nas palavras de Jesus.

Agora os discípulos, nascidos da ação salvadora e libertadora de Jesus, estão vinculados a Jesus. Devem, portanto, cumprir os “mandamentos” de Jesus como Jesus cumpriu os “mandamentos” do Pai. Como Jesus, os discípulos devem ser testemunhas da salvação de Deus e levar a libertação aos seus irmãos.
Jesus disse aos discípulos: “Fui eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça”. Jesus não chamou os discípulos para os fechar nas sacristias; mas chamou-os para que dessem testemunho no mundo do projeto salvador de Deus.

Cada cristão é chamado a mostrar em gestos concretos que Deus ama cada homem e cada mulher – e de forma especial os pobres; os “amigos” de Jesus são convidados a eliminar o sofrimento e tudo o que oprime e escraviza os irmãos e desfeia o mundo.

Os membros da comunidade têm como missão testemunhar esse mundo novo que Deus quer oferecer aos homens e que Jesus anunciou na sua pessoa, nas suas palavras e nos seus gestos.

*ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE*

SENHOR, que eu seja “amigo” de Jesus para colaborar na missão comunitária.
Senhor, envia-me para eu testemunhar o mundo novo, através doamor, a salvação de Deus.
Que eu assuma a responsabilidade missionária para que
a missão de Cristo que é a salvação de todos se concretize na terra.
Que eu seja desafiado a ser arauto da justiça, da paz, da reconciliação, do amor; e tenha a tarefa de denunciar os males que oprimem e
escravizam os homens. Amém.

Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.