*LIITURGIA DA PALAVRA*
PRIMEIRA LEITURA: Êxodo 24,3-8
SALMO RESPONSORIAL: Salmo 147
SEGUNDA LEITURA: Hebreus 9, 11-15
SANTO EVANGELHO: Marcos 14, 12-16-22-26
*TEMA: EUCARISTIA, PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU PARA SACIAR OS CORAÇÕES DO POVO DE DEUS*
Nesta quinta-feira, 30 de maio, depois da festa da Santíssima Trindade, a Igreja celebra a solenidade de Corpus Christi. Por questões pastorais, algumas partes do mundo será no domingo, dia 02 de junho.
O Senhor convoca o seu povo, o reúne ao redor da dúplice mesa da Palavra e do Pão de vida, o alimenta e o une a Si no ofertório do Sacrifício.
A primeira leitura descreve a conclusão da aliança entre Deus e o povo no Sinai. Moisés transmite as palavras e os decretos do Senhor ao povo, o qual assume o compromisso de observar todo o conteúdo dessa aliança.
Para confirmá-la, Moisés asperge o povo com o sangue dos sacrifícios.
Em toda celebração Eucarística, renova-se a mais sublime e permanente aliança de Deus com o povo.
Na segunda leitura, o autor diz que já não é o sangue dos animais, mas o sangue de Cristo, oferecido uma única vez, vem selar a aliança de Deus com a humanidade.
Cristo ressuscitado é o novo e incomparável sumo sacerdote e mediador entre Deus e nós. Seu sangue derramado nos purifica de todo pecado.
No Evangelho, Jesus celebra junto com os discípulos, sua última ceia, antes de ser julgado e condenado. Com este ato, ele dá novo sentido aos gestos rituais e oferece o pão e o vinho, tornando-se a vítima e realizando o sacrifício da aliança.
Os comensais da Eucaristia alimentam-se do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento para a vida nova e definitiva.
Esta valorização da assembleia litúrgica, em que o Senhor age e realiza o seu mistério de comunhão, permanece obviamente válida, mas ela deve ser recolocada no equilíbrio justo.
Na realidade, é errado opor a celebração à adoração, como se uma com a outra estivessem em concorrência. É precisamente o contrário: o culto do Santíssimo Sacramento constitui como que o «ambiente» espiritual em cujo contexto a comunidade pode celebrar bem e na verdade a Eucaristia.
A ação litúrgica só pode expressar o seu pleno significado e valor se for precedida, acompanhada e seguida por esta atitude interior de fé e de adoração.
O encontro com Jesus na Santa Missa realiza-se verdadeira e plenamente quando a comunidade é capaz de reconhecer que no Sacramento Ele habita a sua casa, nos espera, nos convida à sua mesa e depois, quando a assembleia se dissolve, permanece conosco, com a sua presença discreta e silenciosa, e acompanha-nos com a sua intercessão, continuando a receber os nossos sacrifícios espirituais e a oferecê-los ao Pai.
A Eucaristia se insere no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Batismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.
O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho.
Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja, o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e, portanto, o alimento que recebemos é também a sua Palavra.
Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo… Tomai e bebei, isto é o meu sangue».
O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema ação de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. Em grego, «ação de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema ação de graças ao Pai, o qual nos amou a tal ponto que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
A celebração eucarística é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo.
A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.
É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que, no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.
*ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE*
SENHOR, mesmo que eu tenha dificuldade de compreender
todo o valor e toda a riqueza da Eucaristia,
peço-vos, Senhor. que este Sacramento possa continuar a manter
viva a minha pertença ao Cristo e na Igreja e que a presença
real da Eucaristia na minha vida possa plasmar a minha vida
na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. Amém.
Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.