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Na celebração do dia do amigo, gostaria de refletir sobre a amizade a partir do ensinamento de Jesus Cristo.

Jesus chamou seus discípulos de amigos e não servos. Ele amava genuíno e autenticamente porque o amor ágape, revelado por Jesus é amor incondicional e não busca interesses próprios.

Na convivência entre Jesus e seus discípulos reinava a confiança, a abertura, a liberdade, o respeito, a entrega e a doação.

Jesus entregou e doou sua vida para salvar a vida dos amigos. Ele não usou os amigos para beneficiar a si. Por isso, nunca buscamos alguém em nome de amizade para extorqui-lo ou aproveitar da ocasião para nosso próprio bem amizade é coisa séria.

As atuais formas de compreensão de amizade, a meu ver, nem todas são amizades genuínas e autênticas, pois nem toda pessoa conhecida é amiga e nem todo irmão pode ser amigo.

*1. Amigos de infância*

Geralmente, são amigos que surgiram de forma inocente e espontânea. Cada lado não definiu nenhum perfil e foi conhecendo os dons e defeitos, as manias e gostos. Pode acontecer que até os pais ajudaram na construção dessa amizade porque o cheiro disso é só amor verdadeiro.
Os meus amigos de infância, por exemplo, foram acolhidos na casa dos meus pais.

Na medida que os amigos de infância vão crescendo e provando o mundo, se não houver persistência e continuidade de encontros e comunicação, a amizade pode sumir.

Bem-aventurado a você que conserva os seus amigos de infância porque a alegria será maior numa altura em que muitos não valorizam os seus (amigos).

*2. Amigos que a vida oferece*

Os amigos que surgem em circunstâncias que menos se esperam e sem nenhum planejamento.

Certa vez, numa viagem longa e cansativa, encontrei uma pessoa que também estava na mesma jornada e sentia, junto comigo, o cansaço da viagem.

Por causa das circunstâncias, a conversa acabou sendo agradável e interessante.

Como única forma de reduzir a distância era conversar, cada um foi se abrindo e confiando no outro.

Como tenho insistido, nenhuma amizade deveria começar antes da confiança.

Por isso, sem me aperceber, tornei-me amigo de alguém que encontrei pela primeira vez naquela viagem. Desde aquela que poderia ser uma viagem a esquecer pelo cansaço, ganhei um amigo para toda minha vida. Até hoje mantenho essa amizade como uma bênção.

Não podemos chamar de amor à primeira vista nesse exemplo de amizade, mas o encanto de um do outro que determinou a criação daquela amizade.
Alguns fatores contribuem para que uma amizade tenha início.

A vida pode oferecer-nos um amigo. Quanto à longevidade da amizade depende dos dois amigos.

*3. Amigos de negócios*

Quando encontramos alguém para nos beneficiar de alguma coisa, algum trabalho ou acompanhar-nos na vida como benfeitor, financiador ou colega de diferentes negócios.

Quando termina a missão, a pessoa é descartada e esquecida.

Porque a vida é dinâmica, pode ser uma justificação pensar que o tempo já foi, mas a valorização desse tipo de amizade seria uma forma de manifestar uma eterna gratidão.
Não temos nenhuma forma de pagamento das pessoas que foram e são importantes na nossa vida.

A forma humana de dizer obrigado é a manutenção da amizade, o respeito e a confiança.

*4. Amigos a partir de colegas*

Nos locais de trabalho podem ser espaços para a criação de amizades. Embora, haja pessoas que pensam que não se pode confundir amizade com colegas de trabalho, um bom colega que não olha o ambiente de trabalho como área de disputa e competição, pode proporcionar uma amizade duradoura.

O que deve ser evitado na amizade entre colegas é a separação dos outros para não alimentar as fofocas, os ciúmes e a inveja.

Melhor lugar de encontro é fora do estabelecimento de trabalho e nos horários livres ou finais de semana.

*5. Amigos ocasionais*

Podemos encontrar amigos ocasionais quando em determinado evento une as duas partes.

O objetivo da amizade é tornar a convivência naquele evento mais agradável. O que uniu os dois é o único objeto que é o evento, mas depois não há mais interesse um pelo outro.
Pode acontecer que depois se transforme numa amizade como àquela que a vida proporciona. Porém, deve haver outros motivos que possam agregar ao primeiro para evitar que sejam amigos, por exemplo, da boate.

*6. Amigos de terceiros*

A amizade que surge porque um dos amigos apresenta ao outro. A extensão desse tipo de amizade exige uma maturidade para não destruir a primeira. Não deve haver ciúmes nem fofocas. Pode ser uma boa amizade se as três partes tiverem maturidade e responsabilidade.

Alguns fomentam o ditado errado de que “amigo do seu amigo não é seu amigo”. Não se pode generalizar porque há muitas amizades que surgiram por indicação.
Um exemplo clássico é o que apóstolo André fez. Ele encontrou um bom amigo, Jesus. Foi para casa e disse ao seu irmão Pedro: “encontrei o Messias. Vinde e vede”. Pedro acreditou e tornou-se um dos grandes amigos de Jesus.

*7. Amigos – irmãos*

Na família pode surgir boa amizade. Nem todo irmão ou irmã pode ser amigo ou amiga.
Não somos obrigados a ser amigos dos nossos irmãos. Deve haver outras motivações que irão alavancar a amizade. O fato de não sermos amigos não significa que não sejamos bons irmãos. Claro que poderia ser gostoso ser amigo do irmão, uma pessoa próxima para confiá-la e partilhar a vida diferentemente.

*Atenção:*
Porque somos dotados de inteligência, liberdade e bondade, é fundamental abandonarmos as formas atrofiadas de amizades: interesseiras, egoístas, funcionalistas, passageiras e infundadas.

A amizade surge naturalmente como dom de Deus sem necessariamente ser forçada.

As etapas são: confiança, abertura, conhecimento do outro, entrega, doação, persistência, fidelidade, respeito e cumplicidade.

O fator “nós” deve perpassar como forma de eliminar o lado egoísta. Não se deve enfatizar o único lado carente do “eu”.

Em tudo, que se busque o bem-estar dos dois envolvidos na amizade.

Quando amamos alguém, nunca nos falta tempo e espaço na nossa vida.

Quando inventamos que andamos ocupados, é uma apologia fatal porque amar é doar-se e doar seu tempo para o bem do outro.

Amar é estender nossa vida para a vida do outro.

Amar é tornar agradável a vida e definir a vivência como projeto pessoal de alegria.

Viva o dia do amigo!

Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.