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PRIMEIRA LEITURA: Deuteronómio 18,15-20

SALMO RESPONSORIAL: Salmo 80 (81)

SEGUNDA LEITURA: 2 Coríntios 4,6-11

SANTO EVANGELHO: Marcos 2,23–3,6

TEMA: CONVIDADOS A FAZER MEMÓRIA DA EUCARISTIA DA AÇÃO CRIADORA E REDENTORA DE DEUS

A Palavra de Deus, neste 9.º Domingo do Tempo Comum, convida-nos a refletir sobre a celebração do Dia do Senhor, sábado para os judeus, domingo para os cristãos, fazendo memória da ação criadora e redentora de Deus para com o seu Povo.

A primeira leitura recorda-nos o preceito do terceiro mandamento, de guardar o sábado para o santificar, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

No Evangelho, Jesus convida-nos a posicionar-nos a favor dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo. É um convite a vivermos não do preceito, mas da Lei que assumimos no nosso coração.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de ardor apostólico de São Paulo, para quem ser evangelizador equivale a ser prolongamento da vida de Cristo que deve ser visível naqueles que a anunciam. Apesar das fragilidades humanas, a mensagem evangélica não fica comprometida, porque é um tesouro precioso, sinal de que a obra evangelizadora é obra do poder de Deus.

Uma releitura do texto do decálogo na versão do Deuteronómio (5,6-21) permite notar que o mandamento referente ao sábado é central a vários títulos, no contexto do mesmo decálogo e, portanto, de importância cabal para a identidade hebraica: o sábado ocupa a posição central.

O sábado é a memória do repouso do Senhor, depois da obra da criação, e da sua obra de libertação da escravidão do Egito. O domingo cristão é a celebração do Dia do Senhor com fundamento nestes acontecimentos salvíficos é memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo, que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: «O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus “descansou” no sétimo dia, o homem deve também “descansar” e deixar que os outros, sobretudo os pobres, “tomem fôlego”. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga.

A celebração do Dia do Senhor pode ser um bom recurso para recuperar a identidade cristã. De fato, se no passado irmãos nossos deram a vida para defender o domingo, então, «Não podemos passar sem o domingo», «se não nos reunirmos em assembleia ao domingo para celebrar a Eucaristia não podemos viver».

Nós, os cristãos precisamos do pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d’Ele, que é o Senhor da vida. Participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas.

O caminho que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio.

O objetivo de Paulo é demonstrar que Cristo está vivo no seu ministério apostólico, mesmo a partir da fragilidade que se manifesta na forma como é perseguido e entregue à morte em nome de Cristo.

São Paulo é um exemplar servidor do Evangelho para todos. Dele aprendemos que a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se encarna na própria vida aquilo que se ensina.

Para se exercer um serviço na Igreja, mais concretamente de anúncio e de evangelização, sem excluir nenhum dos outros ministérios, é necessário dar protagonismo ao Evangelho, verdadeiro «tesouro» que transportamos «em vasos de barro», frágeis, da nossa fragilidade humana. Mesmo quando o Senhor fortalece a nossa fragilidade, é importante que seja claro para nós, como era para Paulo, que o verdadeiro tesouro é o Evangelho que não depende de nós, mas de Deus que no-lo deu a conhecer na pessoa de Jesus Cristo

A vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo, a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus. Só uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poderá dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos. Como é a minha vida espiritual? Como descrevo a minha intimidade com Jesus?

É importante ter em conta que Jesus não retira qualquer importância ao sábado, enquanto dia consagrado a Deus, mas redireciona-o de modo a voltar à intuição inicial da Lei de Moisés, uma vez que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» O sábado deve estar sempre ao serviço do homem, para fazer bem e salvar a vida; se, de fato, Jesus é o Senhor do sábado, é para o recolocar ao serviço do homem e da salvação da vida.

Jesus ensina-nos a posicionar-nos com verdadeira liberdade diante da Lei de Moisés, ou melhor, diante da Lei de Deus, que nos chegou por Moisés, sem perder nunca de vista o seu objetivo de regular a nossa vida em sociedade e em Igreja, protegendo os mais frágeis e evitando toda e qualquer opressão por parte de quem exerce o poder.

A regra hermenêutica que Jesus dá para saber o que se pode fazer ou não ao domingo pode ser transposta para outros campos da nossa vida: celebrar a Eucaristia com os irmãos e ser testemunha do Evangelho de Cristo.

ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE

SENHOR, manifesto minha vontade e faça que o meu querer de estar ao serviço do bem e da salvação da vida humana seja realizada como
vossa vontade em linha com o desejo de Deus, Senhor que se manifesta na minha vida a mensagem de Jesus.
Que eu esteja sempre ao serviço da vida humana como realização
da missão para a qual nasci, foi batizado. Amém.

Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.