PRIMEIRA LEITURA: Atos dos Apóstolos 4,8-12
SALMO RESPONSORIAL: Salmo 117 (118)
SEGUNDA LEITURA: 1 João 3,1-2
SANTO EVANGELHO: João 10,11-18
*TEMA: ESCUTAR E SEGUIR O BOM PASTOR COMO REFERÊNCIA PARA CONSTRUIRMOS A NOSSA VIDA NA IGREJA E NA SOCIEDADE*
A Palavra de Deus neste 4° Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois, somos convidados a escutar o Evangelho no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”.
No Evangelho é o próprio Jesus que se apresenta como “o Bom Pastor”. Ele ama as suas ovelhas, cuida delas em cada passo do caminho, dá a vida por elas, se for necessário.
As ovelhas de Jesus sabem que podem confiar n’Ele, somos convidados a seguir Jesus e a fazer d’Ele a referência fundamental à volta da qual construímos a nossa vida.
A primeira leitura traz-nos um testemunho de Pedro, proclamado em Jerusalém diante das autoridades judaicas: Jesus é o único Salvador, já que “não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”.
Jesus é o único pastor que nos conduz em direção à Vida verdadeira.
Na segunda leitura, o autor da primeira Carta de João convida-nos a contemplar o amor de Deus pelo homem. É porque nos ama com um “amor admirável” que Deus está apostado em levar-nos a superar a nossa condição de debilidade e de fragilidade. Por isso, Deus enviou-nos Jesus, o Bom Pastor.
“Cheio do Espírito Santo”, Pedro – aqui no papel de paradigma do discípulo que testemunha Jesus e o seu projeto diante do mundo – transforma-se de réu em acusador. Pedro remata o seu discurso garantindo que Jesus é a fonte única de onde brota a salvação – não só a libertação dos males físicos, mas a salvação entendida como totalidade, como Vida definitiva, como realização plena do homem.
Na hora de optar, não esqueçamos que a proposta de Jesus tem o selo de garantia de Deus; não esqueçamos que o caminho proposto por Jesus é o caminho que nos conduz ao encontro da Vida plena e definitiva.
A proposta de Jesus ainda não se tornou decisiva na construção da história do nosso tempo. O verniz cristão de que revestimos a nossa civilização ocidental não tem impedido a corrida aos armamentos, os genocídios, os atos bárbaros de terrorismo, as guerras religiosas, a exploração dos mais fracos, o desprezo pelos direitos e pela dignidade dos seres humanos.
Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Nós cristãos fizemos d’Ele, efetivamente, a “pedra angular” sobre a qual temos de construir a nossa vida e a história do nosso tempo.
O Espírito de Jesus ressuscitado está com os cristãos, ajudando-os, animando-os, protegendo-os em cada passo desse caminho que Deus lhes mandou percorrer. Nos momentos de crise, de desânimo, de frustração, os discípulos devem tomar consciência da presença amorosa de Deus a seu lado e retomar a esperança.
A condição de “filhos de Deus”, que fazem as obras de Deus, coloca os crentes numa posição singular diante do “mundo”. Como “filhos de Deus”, que vivem de forma coerente com as propostas de Deus, eles conduzem as suas vidas com valores diferentes dos valores do “mundo”; por isso, o “mundo” irá ignorá-los ou mesmo persegui-los, recusando a proposta de vida que eles testemunham
Apesar de serem já, desde o dia do Batismo (o dia em que aceitaram essa vida nova que Deus oferece aos homens), “filhos de Deus”, os crentes continuam a caminho da sua realização definitiva, a caminho daquele dia em que a fragilidade e a finitude humanas serão definitivamente superadas.
A filiação divina é uma realidade que marca a caminhada dos seres humanos pela terra e que implica, desde logo, uma vida de coerência com as obras e as propostas de Deus; mas só no céu, depois de se libertar da sua condição de fragilidade, o crente conhecerá a sua realização plena.
Somos convidados a contemplar a bondade, a ternura, a misericórdia, o amor de um Deus apostado em levar os seres humanos a superarem a sua condição de debilidade, a fim de chegarem à Vida nova e eterna, à plenitude das suas capacidades, até se tornarem “semelhantes” ao próprio Deus. Isso corresponde, afinal, ao grande objetivo que todos nós temos: encontrar a felicidade, a Vida verdadeira.
Viver como “filho de Deus” implica fazer opções que, muitas vezes, estão em contradição com os valores que o mundo considera prioritários; por isso, os crentes são frequentemente objeto do desprezo, da irrisão, dos ataques daqueles que não estão dispostos a acolher os valores e propostas de Deus.
Jesus faz de si próprio o pastor: “Eu sou o Bom Pastor”. O adjetivo “bom” deve, neste contexto, entender-se no sentido de “modelo”, de “ideal”. E Jesus explica, logo de seguida, que o “pastor modelo” é aquele que é capaz de dar a própria vida pelas suas ovelhas.
O primeiro tipo de pastor é o do “pastor mercenário”. O “pastor mercenário” é o pastor contratado por dinheiro. O rebanho não é dele e ele não ama as ovelhas que lhe foram confiadas.
O outro tipo de pastor é de cuidador do rebanho é o “Bom Pastor”. O “Bom Pastor”, o pastor verdadeiro, presta o seu serviço por amor e não por dinheiro. A sua prioridade é o bem das ovelhas que lhe foram confiadas. Ele ama as suas ovelhas; por isso, arrisca tudo em benefício do rebanho.
Todos nós temos os nossos heróis, os nossos mestres, os nossos modelos. São figuras que consideramos como referências, figuras que respeitamos e de quem esperamos orientações, figuras cujas opiniões acolhemos e seguimos. Os povos antigos, ainda muito ligados a contextos agrários e pastoris, facilmente designavam uma figura dessas como “o Pastor” que nós hoje utilizamos outras palavras: “presidente”, “rei”, “diretor”, “superior”, “chefe”, “professor” etc.
Para o cristão, o “Pastor” por excelência é Jesus. É n’Ele que devemos confiar, é à volta d’Ele que nos devemos juntar, são as suas indicações e propostas que devemos seguir.
No cumprimento da sua missão de “Pastor”, Jesus não atua por interesse, mas por amor. Ele não foge quando as ovelhas estão em perigo, mas defende-as e até é capaz de dar a vida por elas; Ele preocupa-se com as suas ovelhas e mantém com cada uma delas uma relação única, especial, pessoal; Ele não se serve das suas ovelhas, mas serve-as e condu-las onde há alimento em abundância; Ele cuida de cada uma delas, particularmente das mais frágeis e necessitadas.
Nas nossas comunidades cristãs, temos pessoas que presidem e que animam, pessoas a quem foi confiado o serviço da autoridade. Podemos aceitar, sem problemas, que elas receberam essa missão de Jesus e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfeições. Mas convém igualmente ter presente que o único “Pastor verdadeiro”, aquele que nunca falha, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condições, é Jesus.
*ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE*
SENHOR, abri meus ouvidos e meu coração para que eu escute
o chamado do Bom Pastor.
Que eu procure escutar e acolher sempre, com humildade,
com consciência crítica, as indicações dos líderes humanos.
Senhor, que a exemplo de Jesus que viveu na obediência ao Pai,
Que eu nunca me deixe condicionar pela opinião do “mundo”.
Como Jesus, que eu aguente os embates do mundo e seja
sempre coerente com a minha condição de “filhos de Deus”. Amém.
Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP