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MEMÓRIA DE SANTA MARIA NO SÁBADO

Segundo a tradição, a Igreja tem por costume dedicar o Sábado à Nossa Senhora pelo fato de ter sido no primeiro Sábado Santo que Ela viveu sem ter Jesus vivo. Esse dia foi considerado o Sábado da solidão, do deserto, da morte e do luto. Foi o dia em que Maria Santíssima chorou e sofreu pela ausência de seu Filho.

Podemos pensar que foi no sábado que precedeu a Ressurreição de Jesus que a Virgem Maria viveu o mistério da dor, profetizado por Simeão: Uma espada de dor transpassará tua alma (Lc 2,35). Entretanto, Ela se manteve firme na fé, com esperança inabalável em seu Doloroso e Imaculado Coração, aguardando a Ressurreição d’Ele.

De fato, nunca existiu nem haverá fé mais profunda que a dela: Bem-aventurada aquela que acreditou que se cumpriria o que lhe foi dito da parte do Senhor (Lc 1,45). Como no momento da Anunciação, também no da Paixão, seu ato de fé foi perfeito, visto que não deixou de acreditar que seu Filho fosse verdadeiramente o Filho de Deus, o próprio Deus, vitorioso sobre o diabo, sobre o pecado, sobre a carne. Entretanto, esse sublime ato de fé não terminou na Sexta-feira Santa, mas se estendeu e se intensificou durante todo o sábado, o dia em que a fé de Maria, como sua dor, atingiu seu auge.

Por isso, de acordo com a Exortação Apostólica Marialis cultus de São Paulo VI sobre o Culto da Virgem Santíssima na Liturgia, “[…] acenar à possibilidade de uma comemoração litúrgica frequente da Virgem Santíssima, mediante o recurso à memória de Santa Maria in Sabbato, memória antiga e discreta, que a flexibilidade do calendário atual e a multiplicidade de formulários do Missal tornam extremamente fácil e variada.” (Marialis cultus, 9).

*INVOCAÇÃO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO*

Vinde Espírito Santo enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor.
Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
*Oremos:*
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

*SAUDAÇÃO ANGELICAL A VIRGEM STA MARIA*

(Angelus)

O Anjo do Senhor anunciou a Maria!
E ela concebeu do Espírito Santo.
(Ave Maria)

Eis aqui a Serva do Senhor!
Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
(Ave Maria)

E o Verbo se fez carne!
E habitou entre nós.
(Ave Maria)

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossos corações, para que nós, que, conhecendo pela anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, por sua paixão e morte de cruz, cheguemos à glória da Ressurreição! Por mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.
V/. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
R/. Como era no princípio, agora e sempre. Amém! (3X)

*LITURGIA DA PALAVRA*

PRIMEIRA LEITURA
Na verdade o Senhor enviou-me a vós
para falar tudo isso a vossos ouvidos.

Leitura do Livro do Profeta Jeremias 26,11-16.24

Naqueles dias,
11
os sacerdotes e profetas dirigiram-se
aos chefes e a todo o povo, dizendo:
“Este homem foi julgado réu de morte,
porque profetizou contra esta cidade,
como ouvistes com vossos ouvidos”.
12
Disse Jeremias aos dignitários e a todo o povo:
“O Senhor incumbiu-me de profetizar
para esta casa e para esta cidade
através de todas as palavras que ouvistes.
13
Agora, portanto,
tratai de emendar a vossa vida e as obras,
ouvi a voz do Senhor, vosso Deus,
que ele voltará atrás da decisão que tomou contra vós.
14
Eu estou aqui, em vossas mãos,
fazei de mim o que vos parecer conveniente e justo,
15
mas ficai sabendo que, se me derdes a morte,
tereis derramado sangue inocente contra vós mesmos
e contra esta cidade e seus habitantes,
pois em verdade o Senhor enviou-me a vós
para falar tudo isso a vossos ouvidos”.
16
Os chefes e o povo em geral disseram
aos sacerdotes e profetas:
“Este homem não merece ser condenado à morte;
ele falou-nos em nome do Senhor, nosso Deus”.
24
Jeremias passou a ter proteção de Aicam,
filho de Safã,
para não cair nas mãos do povo
e evitar ser morto.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial
Sl 68(69),15-16.30-31.33-34 (R. cf. 14)

R. No tempo favorável, escutai-me, ó Senhor!

15
Retirai-me deste lodo, pois me afundo! †
Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam, *
e salvai-me destas águas tão profundas!
16
Que as águas turbulentas não me arrastem, †
não me devorem violentos turbilhões, *
nem a cova feche a boca sobre mim! R.

30
Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! *
Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus!
31
Cantando eu louvarei o vosso nome *
e agradecido exultarei de alegria! R.

33
Humildes, vede isto e alegrai-vos: †
o vosso coração reviverá, *
se procurardes o Senhor continuamente!
34
Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, *
e não despreza o clamor de seus cativos. R.

Aclamação ao Evangelho
Mt 5,10

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Felizes os que são perseguidos,
por causa da justiça do Senhor,
porque o Reino dos céus há de ser deles!

EVANGELHO
Herodes mandou cortar a cabeça de João.
Vieram os discípulos e foram contar tudo a Jesus.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 14,1-12
1
Naquele tempo,
a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes.
2
Ele disse a seus servidores:
“É João Batista, que ressuscitou dos mortos;
e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”.
3
De fato, Herodes tinha mandado prender João,
amarrá-lo e colocá-lo na prisão,
por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe.
4
Pois João tinha dito a Herodes:
“Não te é permitido tê-la como esposa”.
5
Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo,
que o considerava como profeta.
6
Por ocasião do aniversário de Herodes,
a filha de Herodíades dançou diante de todos,
e agradou tanto a Herodes
7
que ele prometeu, com juramento,
dar a ela tudo o que pedisse.
8
Instigada pela mãe, ela disse:
“Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”.
9
O rei ficou triste,
mas, por causa do juramento diante dos convidados,
ordenou que atendessem o pedido dela.
10
E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere.
11
Depois a cabeça foi trazida num prato,
entregue à moça e esta a levou para a sua mãe.
12
Os discípulos de João foram buscar o corpo
e o enterraram.
Depois foram contar tudo a Jesus.
Palavra da Salvação.

*REFLEXÃO*

Dos Sermões de São Guerrico, abade
(Sermo 1 in Assumptione beatae Mariae: PL 185,187-189)
(Séc. XII)

Maria, Mãe de Cristo e Mãe dos cristãos
Maria deu à luz um Filho único. Assim como ele é Filho único de seu Pai nos céus, é também Filho único de sua mãe na terra. Ora, essa única Virgem Mãe, que possui a glória de ter dado à luz o Filho único de Deus Pai, abraça este mesmo Filho em todos os seus membros. Não se envergonha de ser chamada mãe de todos aqueles nos quais vê a Cristo já formado ou em formação.
A antiga Eva, que deixou aos filhos a sentença de morte ainda antes de verem a luz do dia, foi mais madrasta do que mãe. Chamam-na mãe de todos os viventes; mas verifica-se, com mais verdade, que ela foi a origem da morte para os que vivem, a mãe dos que morrem, pois o seu ato de gerar não foi outra coisa senão propagar a morte. E já que Eva não correspondeu fielmente ao significado do seu nome, Maria realizou este mistério. Como a Igreja, da qual é figura, Maria é a Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a mãe da Vida pela qual todos vivem; ao gerar a Vida, de certo modo ela regenerou todos os que hão de viver por ela.
A santa mãe de Cristo, que se reconhece mãe dos cristãos em virtude desse mistério, mostra-se também sua mãe pelo cuidado e amor que tem por eles. Não é insensível para com os filhos, como se não fossem seus; suas entranhas, fecundadas uma só vez mas nunca estéreis, jamais se cansam de dar à luz frutos de piedade.
Se o Apóstolo, servo de Cristo, uma e outra vez dá à luz filhos pelos seus cuidados e ardente piedade, até Cristo ser formado neles (cf. Gl 4,19), quanto mais a própria mãe de Cristo! E Paulo, de fato, os gerou, pregando-lhes a palavra da verdade pela qual foram regenerados; Maria, porém, gerou-os de modo muito mais divino e santo, ao dar à luz a própria Palavra. Louvo realmente em São Paulo o ministério da pregação; porém admiro e venero muito mais em Maria o mistério da geração.
Observa, agora, se os filhos também não parecem reconhecer a sua mãe. Impelidos como que por um certo natural afeto de piedade, recorrem imediatamente à invocação do seu nome em todas as necessidades e perigos, como crianças no colo da mãe. Por isso, julgo, não sem motivo, que é destes filhos que o Profeta fala quando faz esta promessa: Os teus filhos habitarão em ti (cf. Sl 101,29). Ressalve-se, no entanto, a interpretação que atribui principalmente à Igreja esta profecia.
Agora vivemos, na verdade, sob o amparo da mãe do Altíssimo, habitamos sob a sua proteção e como que à sombra de suas asas. Mais tarde, seremos acalentados no seu regaço com a participação na sua glória. Então ressoará, numa só voz, a aclamação dos filhos que se alegram e se congratulam com sua mãe: Todos juntos a cantar nos alegramos, pois em ti está a nossa morada (cf. Sl 86,7), santa mãe de Deus!

*SENHOR,* eu vos agradeço por terdes morrido na Cruz pelos meus pecados, meu Jesus, misericórdia.

Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP