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MEMÓRIA DO PAPA SÃO CORNÉLIO E DO BISPO SÃO CIPRIANO,

Cornélio

Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado no ano de 251, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.

A Igreja debatia, internamente, para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos “lapsos”, nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos.

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas a toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.

Entretanto o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma.

No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo.

Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

Cipriano

Cipriano nasceu no ano de 210, filho de uma nobre e rica família africana de Cartago, capital romana na no norte da África. Foi considerado um dos personagens mais empolgantes e importantes do século III. Primeiro pelo destaque alcançado como advogado, quando ainda era pagão. Depois por ser considerado um mestre da retórica e defensor irrestrito da unidade da Igreja. Mas o fator principal foi sua conversão ao cristianismo, já na maturidade, entre os trinta e cinco e quarenta anos de idade, causando um grande alvoroço e espanto na sociedade da época.

Cipriano não deixou apenas sua vida de pagão, mas também distribuiu quase toda a sua fortuna entre os pobres, renunciando à ciência profana da qual se alimentara até então. Com muito pouco tempo, foi ordenado sacerdote e, por eleição direta do clero e do povo, imediatamente substituiu o bispo de Cartago logo após sua morte. Cipriano o fez contrariando seu próprio desejo, mas em obediência à Igreja.

Nos anos de 249 a 258, durante o episcopado de Cipriano, a Igreja africana passou por sérios problemas. Os imperadores Valeriano e Décio empreenderam uma perseguição sem tréguas aos cristãos. Além disso, uma grande e terrível peste atacou o norte da África, causando muitas mortes e sofrimento. Como se não bastasse, a Igreja ainda se agitava com problemas doutrinários, internamente. Durante a perseguição do imperador Décio, em 249, grande número de fiéis e sacerdotes, até mesmo bispos, fraquejaram perante as torturas e renunciaram à fé cristã. Por esses atos ficaram conhecidos como “cristãos lapsos”. A Igreja, então, mergulhou, definitivamente, na polêmica do “lapso”, criando o seu primeiro grande cisma, isto é, uma divisão entre o clero. Não se sabia que atitude tomar contra os fiéis que abandonavam a fé e depois desejavam voltar para o seguimento de Cristo.

Em Roma, fora eleito o papa Cornélio, com amplo apoio dos bispos liderados por Cipriano, que apreciava muito a conduta de seu colega bispo, com o qual trocava muita correspondência. Mas havia Novaciano, em Roma, que se elegeu antipapa e começou uma forte corrente a favor da não-reconciliação dos desertores. Já na África, um certo Felicíssimo era completamente contra tal atitude, rogando pela clemência e reintegração do rebanho desgarrado. Assim, liderados, novamente, pelo bispo Cipriano, Novaciano foi perdendo força. Uma outra controvérsia, que assolava a Igreja na época, era a validade ou não dos batismos realizados por hereges. Essa era a única divergência que existia entre o papa Cornélio e o bispo Cipriano.

O papa, seguindo a tradição da doutrina, considerava válidos os batismos, já o bispo dizia que “não se pode dar a fé a quem não a tem”. Assim, a questão permaneceu sem solução. Em 258, ainda com a perseguição contra a Igreja, Cipriano foi denunciado e sentenciado à morte por decapitação. As atas escritas revelam que nesse dia, quando o pró-cônsul determinou a sentença, as únicas palavras proferidas por Cipriano foram “Graças a Deus!” Foi executado no dia 14 de setembro de 258.

São Cipriano deixou-nos inúmeros escritos, entre os quais oitenta e uma cartas que se tornaram uma fonte de informação preciosa da vida eclesiástica daquele tempo. A Igreja declarou-o padroeiro da África do Norte e da Argélia, sendo sua festa litúrgica marcada para o dia 16 de setembro, quando se comemora a festa do santo papa Cornélio, o amigo de fé que ele tanto defendeu.

INVOCAÇÃO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO

Vinde Espírito Santo enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor.
Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos:
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

SAUDAÇÃO ANGELICAL A VIRGEM STA MARIA

(Angelus)

O Anjo do Senhor anunciou a Maria!
E ela concebeu do Espírito Santo.
(Ave Maria)

Eis aqui a Serva do Senhor!
Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
(Ave Maria)

E o Verbo se fez carne!
E habitou entre nós.
(Ave Maria)

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossos corações, para que nós, que, conhecendo pela anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, por sua paixão e morte de cruz, cheguemos à glória da Ressurreição! Por mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.
V/. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
R/. Como era no princípio, agora e sempre. Amém! (3X)

LITURGIA DA PALAVRA

PRIMEIRA LEITURA
Se têm surgido divisões entre vós, de fato,
já não é para comer a Ceia do Senhor que vos reunis.

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 11,17-26.33

Irmãos,
17
no que tenho a dizer-vos, eu não vos louvo,
pois vossas reuniões
não têm sido para o vosso bem,
mas para o mal.
18
Com efeito, e em primeiro lugar, ouço dizer que,
quando vos reunis em assembleia,
têm surgido divisões entre vós.
E, em parte, acredito.
19
Na verdade, convém que haja até cisões entre vós,
para que também se tornem bem conhecidos
aqueles que dentre vós que resistem à prova.
20
De fato, não é para comer a Ceia do Senhor
que vos reunis em comum.
21
Pois cada um se apressa
a comer a sua própria ceia;
e enquanto um passa fome
o outro se embriaga.
22
Não tendes casas onde comer e beber?
Ou desprezais a Igreja de Deus
e quereis envergonhar aqueles que nada têm?
Que vos direi?
Hei de elogiar-vos?
Neste ponto, não posso elogiar-vos.
23
O que eu recebi do Senhor
foi isso que eu vos transmiti:
Na noite em que foi entregue,
o Senhor Jesus tomou o pão
24
e, depois de dar graças, partiu-o
e disse:
“Isto é o meu corpo
que é dado por vós.
Fazei-o em memória de mim”.
25
Do mesmo modo, depois da ceia,
tomou também o cálice e disse:
“Este cálice é a nova aliança, em meu sangue.
Todas as vezes que dele beberdes,
fazei isto em minha memória”.
26
Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão
e beberdes deste cálice,
estareis proclamando a morte do Senhor,
até que ele venha.
33
Portanto, meus irmãos,
quando vos reunirdes para a Ceia,
esperai uns pelos outros.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial
Sl 39(40),7-8a.8b-9.10.17 (R. 1Cor 11,26b)

R. Irmãos, anunciai a morte do Senhor, até que ele venha!

7
Sacrifício e oblação não quisestes, *
mas abristes, Senhor, meus ouvidos;
não pedistes ofertas nem vítimas, †
holocaustos por nossos pecados, *
8a
E então eu vos disse: “Eis que venho!” R.

b
Sobre mim está escrito no livro: †
9
“Com prazer faço a vossa vontade, *
guardo em meu coração vossa lei!” R.

10
Boas-novas de vossa justiça †
anunciei numa grande assembleia; *
vós sabeis: não fechei os meus lábios! R.

17
Mas se alegre e em vós rejubile *
todo ser que vos busca, Senhor!
18
Digam sempre: “É grande o Senhor!” *
os que buscam em vós seu auxílio. R.

Aclamação ao Evangelho
Jo 3,16

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Deus o mundo tanto amou,
que lhe deu seu próprio Filho,
para que todo o que nele crer,
encontre vida eterna.

EVANGELHO
Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 7,1-10

Naquele tempo,
1
quando acabou de falar ao povo que o escutava,
Jesus entrou em Cafarnaum.
2
Havia lá um oficial romano
que tinha um empregado a quem estimava muito,
e que estava doente, à beira da morte.
3
O oficial ouviu falar de Jesus
e enviou alguns anciãos dos judeus,
para pedirem
que Jesus viesse salvar seu empregado.
4
Chegando onde Jesus estava,
pediram-lhe com insistência:
“O oficial merece que lhe faças este favor,
5
porque ele estima o nosso povo.
Ele até nos construiu uma sinagoga”.
6
Então Jesus pôs-se a caminho com eles.
Porém, quando já estava perto da casa,
o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus:
“Senhor, não te incomodes,
pois não sou digno de que entres em minha casa.
7
Nem mesmo me achei digno
de ir pessoalmente ao teu encontro.
Mas ordena com a tua palavra,
e o meu empregado ficará curado.
8
Eu também estou debaixo de autoridade,
mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens.
Se ordeno a um :
‘Vai!’, ele vai;
e a outro: ‘Vem!’, ele vem;
e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz”.
9
Ouvindo isso, Jesus ficou admirado.
Virou-se para a multidão que o seguia, e disse:
“Eu vos declaro que nem mesmo em Israel
encontrei tamanha fé”.
10
Os mensageiros voltaram para a casa do oficial
e encontraram o empregado em perfeita saúde.
Palavra da Salvação.

REFLEXÃO

Das Cartas de São Cipriano, bispo e mártir
(Ep. 60, 1-2.5: CSEL 3, 691-692.694-695) (Sec. III)

Fé generosa e firme

Cipriano a Cornélio, irmão no episcopado.
Tivemos conhecimento, irmão caríssimo, do glorioso testemunho da vossa fé e fortaleza, e a glória da vossa pública confissão de fé deu nos tanta alegria que nos consideramos participantes e companheiros dos vossos méritos e louvores. De facto, se formamos todos uma só Igreja, se temos um só coração e uma só alma, qual é o sacerdote que não se congratula com a glória de outro sacerdote, como se fosse própria, e qual é o irmão que não se alegra com a felicidade dos seus irmãos?
Não se pode exprimir suficientemente a alegria e o contentamento que aqui se manifestaram, quando fomos informados da vossa vitória e fortaleza, quando soubemos que vós fostes um verdadeiro chefe dos irmãos na confissão da fé e que a mesma confissão de fé do chefe foi confirmada pela confissão dos irmãos. Deste modo, sendo o primeiro a caminhar para a glória, levastes muitos companheiros a participar da mesma glória; e sendo o primeiro a confessar a fé em nome de todos, persuadistes o povo à confissão da mesma fé. Não sabemos o que mais havemos de louvar em vós, se a vossa fé generosa e inquebrantável, se a inseparável caridade dos irmãos. Assim se manifestou publicamente a coragem do bispo à frente do seu povo e se afirmou claramente a fidelidade do povo em plena solidariedade com o seu bispo. Em vós toda a Igreja de Roma deu um magnífico testemunho, unida num só coração e numa só voz.
Brilhou em todo o seu esplendor, irmão caríssimo, a fé que o Apóstolo elogiava na vossa comunidade. Já então ele previa em espírito esta gloriosa coragem e fortaleza. Já então, anunciando o futuro, celebrava a glória dos vossos méritos e, exaltando os louvores dos pais, estimulava a coragem dos filhos. Com a vossa perfeita concórdia e com a vossa fortaleza, destes a todos os cristãos um magnífico exemplo de união e constância.
Irmão caríssimo, a providência do Senhor nos adverte que está iminente a hora do nosso combate. A bondade divina nos vai prevenindo, com salutares inspirações, de que se aproxima o dia da nossa prova. Por isso, em nome da caridade que nos une, ajudemo nos uns aos outros, perseverando assiduamente com todo o povo nos jejuns, vigílias e orações. Estas são as nossas armas celestes que nos conservam firmes, fortes e perseverantes. Estes são os dardos espirituais e os baluartes divinos que nos protegem.
Lembremo nos uns dos outros, em perfeita concórdia e unidade de espírito; oremos sempre e em toda a parte uns pelos outros; e procuremos aliviar esta hora de tribulação e angústia com a nossa mútua caridade.

 

SENHOR, eu vos agradeço por terdes morrido na Cruz pelos meus pecados, meu Jesus, misericórdia.

Servo inútil,
Pe. Fonseca  Kwiriwi, CP