MEMÓRIA DE SÃO CARLOS LWANGA E COMPANHEIROS, MÁRTIRES
Entre os anos 1885 e 1887, foram condenados à morte muitos cristãos no Uganda, por ordem do rei Mwanda em ódio da religião. Alguns deles eram funcionários da corte real ou até adjuntos do próprio rei. Entre eles distinguem-se Carlos Lwanga e seus vinte e um companheiros, pela sua inquebrantável adesão à fé católica. Foram uns decapitados e outros queimados vivos, por não terem cedido às impuras ordens do rei.
*INVOCAÇÃO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO*
Vinde Espírito Santo enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor.
Enviai Senhor o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
*Oremos:*
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém.
*SAUDAÇÃO ANGELICAL A VIRGEM STA MARIA*
(Angelus)
O Anjo do Senhor anunciou a Maria!
E ela concebeu do Espírito Santo.
(Ave Maria)
Eis aqui a Serva do Senhor!
Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
(Ave Maria)
E o Verbo se fez carne!
E habitou entre nós.
(Ave Maria)
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossos corações, para que nós, que, conhecendo pela anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, por sua paixão e morte de cruz, cheguemos à glória da Ressurreição! Por mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.
V/. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
R/. Como era no princípio, agora e sempre. Amém! (3X)
*LITURGIA DA PALAVRA*
PRIMEIRA LEITURA
2 Pedro 1, 2-7
«Entramos na posse das mais preciosas promessas, para nos tornarmos participantes da natureza divina»
Leitura da Segunda Epístola de São Pedro
Caríssimos: A graça e a paz vos sejam dadas em abundância, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Jesus, com o seu divino poder, concedeu-nos tudo o que é necessário à vida e à piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou pela sua glória e virtude. Assim, entramos na posse das maiores e mais preciosas promessas, para nos tornarmos participantes da natureza divina, livres da corrupção que a concupiscência gera no mundo. Por este motivo, esforçai-vos quanto possível por juntar à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a tem¬perança, à temperança a constância, à constância a piedade, à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade.
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 90 (91), 1-2.14-15ab. 15c-16 (R. cf. 2b)
Refrão: Senhor, meu Deus, em Vós confio. Repete-se
Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo
e moras à sombra do Omnipotente,
diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela;
meu Deus, em Vós confio». Refrão
«Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo,
hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação. Refrão
Hei-de libertá-lo e dar-lhe glória,
favorecê-lo-ei com longa vida
e lhe mostrarei a minha salvação». Refrão
ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
cf. Ap 1, 5ab
Refrão: Aleluia Repete-se
Jesus Cristo, a Testemunha fiel,
o Primogénito dos mortos,
amou-nos e purificou-nos dos nossos pecados,
pelo seu sangue. Refrão
EVANGELHO
Mc 12, 1-12
«Apoderaram-se do seu filho querido, mataram-no e lançaram-no fora da vinha».
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, Jesus começou a falar em parábolas aos príncipes dos sacerdotes, aos escribas e aos anciãos: «Um homem plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, construiu um lagar e ergueu uma torre. Depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou o tempo, enviou um servo aos vinhateiros para receber deles uma parte dos frutos da vinha. Os vinhateiros apoderaram-se do servo, espancaram-no e mandaram-no sem nada. Enviou-lhes de novo outro servo. Também lhe bateram na cabeça e insultaram-no. Enviou-lhes ainda outro, que eles mataram. Enviou-lhes muitos mais e eles espancaram uns e mataram outros. O homem tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho; e enviou-o por último, dizendo consigo: «Respeitarão o meu filho». Mas aqueles vinhateiros disseram entre si: «Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa». Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. Que fará então o dono da vinha? Virá ele próprio para exterminar os vinhateiros e entregará a outros a sua vinha. Não lestes esta passagem da Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se pedra angular. Isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?». Procuraram então prender Jesus, pois compreenderam que tinha dito para eles a parábola. Mas tiveram receio da multidão e por isso deixaram-n’O e foram-se embora.
Palavra da salvação.
*REFLEXÃO*
Da Homilia do papa Paulo VI, proferida na canonizacão dos mártires do Uganda
(AAS 56 [1964], 905-906) (Sec. XX)
Glória dos mártires, sinal de regeneração
Estes mártires africanos acrescentam ao álbum dos vencedores, chamado Martirológio, uma página ao mesmo tempo trágica e grandiosa, verdadeiramente digna de figurar ao lado das célebres narrações da África antiga, as quais, neste tempo em que vivemos, julgávamos, por causa da nossa pouca fé, que nunca mais viriam a ter semelhante continuação.
Quem poderia suspeitar, por exemplo, que às célebres actas, tão comovedoras, dos mártires de Cíli, dos mártires de Cartago, dos mártires de «Massa Cândida» de Útica lembrados por Santo Agostinho e por Prudêncio, dos mártires do Egipto tão louvados por São João Crisóstomo, dos mártires da perseguição dos Vândalos, quem poderia suspeitar que a todos esses se haveriam de juntar, nos nossos tempos, novas páginas de história, não menos valorosas nem menos brilhantes?
Quem poderia alguma vez pressentir que às grandes figuras históricas dos santos mártires e confessores de África, tais como Cipriano, Felicidade e Perpétua, e o grande Agostinho, haveríamos nós um dia de associar nomes tão queridos como Carlos Lwanga, Matias Mulumba Kalemba e os seus vinte companheiros? E não queremos esquecer também os outros, de confissão anglicana, que sofreram a morte pelo nome de Cristo.
Estes mártires africanos dão, sem dúvida, início a uma nova era. Oxalá não seja de perseguições e lutas religiosas, mas de renovação cristã e cívica.
Com efeito, a África, orvalhada com o sangue destes mártires, que são os primeiros desta nova era (e queira Deus que sejam os últimos – tão grande e precioso é o seu holocausto), a África renasce livre e resgatada.
A tragédia que os vitimou é tão inaudita e significativa, que apresenta factores suficientes e claros para a formação moral de um povo novo, para a fundação de uma nova tradição espiritual, para simbolizarem e promoverem a passagem de uma cultura simples e rudimentar (não desprovida de magníficos valores humanos, mas contaminada e enfraquecida, como se fosse escrava de si mesma) a uma civilização aberta às superiores expressões.
*SENHOR,* eu vos agradeço por terdes morrido na Cruz pelos meus pecados, meu Jesus, misericórdia.
Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP