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Um clima de preparação para o Capítulo Geral dos Missionários Passionistas que será em outubro deste ano, partilho um tema discutido sobre o amor entre Jesus e Pedro.

A partir da proposição:”um amor para ser verdadeiro não precisa ser perfeito”, o texto vai dando algumas demonstrações e prova desta verdade é o diálogo entre Jesus e Pedro, no lago de Tiberíades, após a
Ressurreição. (cf. Jo 21, 15-19)

Se por três vezes,
Pedro negou Jesus, na noite da Paixão, por três vezes, no amanhecer esperançoso da
Ressurreição, Pedro professa o seu amor frágil, mas verdadeiro.

É maravilhoso ver a evolução espiritual de Pedro: de orgulhoso e autossuficiente a humilde e sincero!

O amor verdadeiro tem *humildade e sinceridade.* As duas virtudes devem ser cultivadas para que nossos relacionamentos sejam genuínas.

A pergunta de Jesus a Pedro é a pergunta
do amor.
“Simão, filho de João, tu amas-me?”
Jesus não utiliza um termo qualquer para
interrogar Pedro.

Jesus emprega o verbo *(agapâs me)*, ou seja, Jesus pergunta a Pedro se o ama com um amor divino e profundo.

Que tipo de amor expressamos nas relações de amizade?

A dificuldade de entrarmos na vida do outro com um amor verdadeiro, a meu ver, é devido à expectativa que temos do outro.

Queremos buscar no outro a perfeição, por isso, há decepção em muitas convivências.

Jesus não se decepciona porque não olha o Pedro como um perfeito, porém ele dá tempo ao outro para que faça uma progressão e atinja maturidade.

Jesus não faz julgamentos, mas avalia a caminhada de Pedro até professar o eu “amo-te” verdadeiro.

Pedro respondeu a pergunta de Jesus da seguinte forma:
“Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu
amigo”, ou seja, Pedro responde com um amor de simples amizade *(filô se).*
Esta diferença de verbos mostra que Pedro já se conhece bem e que deixou de ser orgulhoso.

Não temos aqui a resposta soberba que Pedro deu a Jesus na última ceia.

A resposta de Pedro demonstra a consciência da sua debilidade e do
seu fracasso, mas também a sua vontade de, na
sua debilidade, amar Jesus até ao fim.

Contentar-se-á Jesus com o amor de simples amizade de Pedro? Sim, contenta-se. Na
verdade, na terceira pergunta, Jesus já não utiliza o verbo do amor divino e profundo, mas o
verbo da amizade.

Com efeito, como nos recorda o Papa Francisco, “o fato de o seu amor ser imperfeito não significa que seja falso ou que não seja real. É real, mas limitado e terreno.” (A Alegria do Amor, 113)

“Não é a perfeição que Ele procura em mim, mas a
autenticidade. Não me vou esgotar para ser perfeito, mas para ser verdadeiro e não
hipócrita, isso sim.” (Ronchi)

É a este Pedro débil que Jesus confia o seu rebanho e convida ao seguimento.

Para Deus, mais importante do que o passado é o futuro.

*Reflexão e oração*
Contempla este diálogo de Jesus com Pedro:
“Jesus perguntou a Simão Pedro:
‘Simão, filho de João, tu amas-me mais do
que estes?’
Pedro respondeu: ‘Sim, Senhor,
Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.’
Jesus disse-lhe: ‘Apascenta os meus
cordeiros.” (Jo 21, 15)

-E você, que responderia?

Jesus termina o diálogo com:
“Segue-me”

Seguir o caminho do amor implica tomar uma atitude de abertura, humildade, sinceridade e autenticidade para que o amor seja verdadeiro.

Não provoquemos estresse tentando achar no outro a perfeição. Contudo, busquemos a perfeição na nossa simplicidade de cada dia ao reconhecermos nossa fragilidade.

Amar não é um simples sentimento e nem um ato de preenchimento do nosso ego, mas é querer que o outro sinta o bem.

Amar é permitir que o outro alcance o bem-estar sem, no entanto, buscar vantagens pessoais.

Que saibamos amar desinteressadamente.

Sigamos a Jesus Crucificado e veremos a nossa vida em
processo de (trans)formação!

Pesquisado por,

Pe. Kwiriwi, CP