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*LITURGIA DA PALAVRA*

 

PRIMEIRA LEITURA: Provérbios 9,1-6

 

SALMO RESPONSORIAL: Salmo 33 (34)

 

SEGUNDA LEITURA: Efésios 5,15-20

 

SANTO EVANGELHO: João 6,51-58

 

*TEMA: JESUS É O PÃO DA VIDA ETERNA ENVIADO PELO PAI PARA OS FILHOS AMADOS DE DEUS*

 

A liturgia do 20.º Domingo do Tempo Comum retoma um tema que tem sido recorrente nos últimos domingos: Deus acompanha cada passo dos seus filhos e filhas e, ao longo do caminho, não cessa de lhes proporcionar o alimento que dá a Vida eterna.

 

A primeira leitura conta-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela “senhora sabedoria”, destinado aos “simples” e aos que pretendem vencer a insensatez. É um convite a acolhermos a “sabedoria” de Deus e a construirmos a nossa vida à luz das propostas de Deus.

 

No Evangelho, Jesus reafirma que o objetivo final da sua missão é oferecer aos homens o alimento da Vida eterna. Para receber essa Vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projeto, a interiorizar as suas atitudes e os seus critérios de vida, a viver d’Ele. Na celebração da eucaristia, a comunidade de Jesus senta-se com Ele à mesa e recebe d’Ele o alimento que dá Vida.

 

A segunda leitura lembra aos cristãos a sua opção por Cristo. Exorta-os a não adormecerem, a repensarem continuamente as suas opções e os seus compromissos, a viverem com empenho e entusiasmo o seguimento de Cristo, a empenharem-se no testemunho dos valores em que acreditam.

 

Os que são admitidos na casa da “dona Sabedoria” e que participam do banquete que ela preparou são os “simples” e os “insensatos que querem deixar a insensatez e seguir o caminho da prudência”. Os “simples” são aqueles que não têm o coração demasiado cheio de si próprio, que não se fecham no orgulho e na autossuficiência, que reconhecem a sua pequenez e finitude e que se entregam com humildade e confiança nas mãos de Deus; os “insensatos que buscam o caminho da prudência” são aqueles que estão dispostos a mudar, que não se conformam com a vida do homem velho e querem ir mais além.

 

Paulo diz que é uma estupidez termos descoberto e experimentado a Vida verdadeira e deixarmos que o homem velho do egoísmo e do pecado nos domine de novo.

 

A verdadeira sabedoria está em conseguir discernir aquilo que nos ajuda a viver uma vida mais humana e mais digna daquilo que nos traz desilusão e sofrimento.

 

O viver “no Espírito” implica ainda, na perspectiva de Paulo, a oração, o louvor, a ação de graças. Um crente que tem Deus como a coordenada fundamental da sua existência e que se sente chamado a fazer parte da família de Deus é um crente que vive em diálogo contínuo com Deus. É nesse diálogo que ele percebe os planos e os projetos de Deus para si próprio e para o mundo e encontra a coragem para percorrer o caminho da fidelidade e do compromisso.

 

A Eucaristia é o memorial de tudo isto: da vida, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus. Atualiza esta realidade na comunidade cristã e na vida dos crentes.

 

Esse mesmo Jesus que amou até às últimas consequências, que pôs a sua vida ao serviço dos homens, que Se deu na cruz, oferece-Se como alimento aos seus.

 

A eucaristia revive e atualiza a vida, os gestos, as palavras de Jesus, a sua paixão, morte e ressurreição.

 

A eucaristia é uma experiência central para os seguidores de Jesus; a Igreja vive e alimenta-se da eucaristia. Ora, um dos sinais mais graves da crise da fé cristã entre nós é o abandono tão generalizado da eucaristia dominical. Revela indiferença por Jesus, pelo projeto de Jesus, pela Vida que Jesus quer oferecer.

 

Na Eucaristia, o alimento servido é o próprio Jesus. Quem acolhe (quem “come”) essa Vida que Ele oferece torna-se, portanto, um com Ele. “Comer” cada domingo (ou cada dia) o alimento que Jesus oferece e que é a sua própria pessoa, leva os crentes a uma comunhão total de vida com Ele. É a Vida de Jesus que passa a circular em nós e a animar tudo aquilo que fazemos.

 

Celebrar a Eucaristia é aprofundar os laços familiares que nos unem a Jesus, é identificarmo-nos com Ele. Quando comungamos, temos a consciência clara de que ficamos intimamente ligados a Jesus e que Jesus fica conosco, a alimentar a nossa vida a partir de dentro?

 

Na conceção judaica, a partilha do mesmo alimento à volta da mesa gera entre os convivas familiaridade e comunhão. Assim, os crentes que participam da Eucaristia passam a ser irmãos: em todos circula a mesma Vida, a Vida que brota da mesma “videira” que é Jesus. Dessa forma, a participação na eucaristia tem de resultar no reforço da comunhão dos irmãos.

 

Uma comunidade que celebra a eucaristia e que vive depois na divisão, no ciúme, no conflito, no orgulho, na autossuficiência, na indiferença para com as dores e as necessidades dos irmãos, é uma comunidade que não está a ser coerente com aquilo que celebra; e, nesse caso, a celebração eucarística é uma incoerência e uma mentira.

 

“Comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus implica um compromisso com esse mesmo projeto que Jesus procurou concretizar em toda a sua vida, em todos os seus gestos, em todas as suas palavras. Como Jesus, o crente que celebra a Eucaristia tem de levar ao mundo e aos homens essa vida que aí recebe.

 

Jesus apresenta-se como fonte de Vida para todos aqueles que aceitam a sua proposta e decidem caminhar atrás d’Ele. Ele garante poder saciar a nossa fome de Vida eterna e verdadeira. Na verdade, todos nós andamos à procura dessa Vida, de uma Vida que nos realize.

 

 

*ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE*

 

SENHOR, fonte da vida abri meu coração para eu aceitar Vossa proposta

e decida caminhar atrás de Jesus Cristo, Pão Vivo descido do céu.

Saciai minha fome com Vossa Carne e minha sede com o Vosso Sangue

neste mundo e dai-me a Vida eterna. Amém.

 

 

Servo inútil,

Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.