LITURGIA DA PALAVRA
PRIMEIRA LEITURA: Sabedoria 7,7-11
SALMO RESPONSORIAL: Salmo 89 (90)
SEGUNDA LEITURA: Hebreus 4,12-13
SANTO EVANGELHO: Marcos 10,17-30
TEMA: SOMOS CONVIDADOS A ESCOLHER OS VALORES DO REINO DE DEUS QUE NOS TRAZEM ALEGRIA E PAZ
A Palavra de Deus neste 28.º Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre as escolhas que fazemos.
Exorta-nos a não nos conformarmos com valores perecíveis e não saciam a nossa fome de vida; encoraja-nos a abraçarmos os valores eternos, aqueles valores que nos trazem alegria e paz e que dão significado pleno à nossa existência.
Na primeira leitura, um “sábio” de Israel exalta a “sabedoria”, dom de Deus. A partir da sua própria experiência, esse sábio convida-nos a fazer da “sabedoria” a nossa aposta fundamental. Ela é, mais do que qualquer outro valor (o poder, a riqueza, a saúde, a beleza), a base perfeita para construir uma vida com sentido.
No Evangelho, Jesus convida-nos a despojarmo-nos dos bens materiais que nos aprisionam: a abrir o coração à solidariedade e à partilha, a percorrer o caminho do amor que se dá totalmente, a tornar-se discípulo e discípula e a integrar a comunidade do Reino.
A segunda leitura convida-nos a escutar e a acolher a Palavra de Deus que nos chega através de Jesus.
Essa Palavra é viva, eficaz, atuante. Uma vez acolhida no coração do homem, transforma-o, renova-o, ajuda-o a discernir o bem e o mal e a fazer as opções corretas, indica-lhe o caminho certo para chegar à vida plena e definitiva.
Para o rei Salomão, a “sabedoria” tornou-se o valor mais apreciado, superior ao poder, à riqueza, à saúde, à beleza, a todos os bens terrenos (vers. 8-10a) que os homens tanto apreciam.
A sabedoria é a “luz” que indica caminhos e que permite ao homem discernir as opções corretas para ter êxito e ser feliz.
Ao contrário dos bens terrenos, ela não se extingue nem perde o brilho (vers. 10b): é um valor duradouro, que vem de Deus e que conduz o homem ao encontro da Vida verdadeira, da felicidade que não tem fim.
A “sabedoria” não afastou este rei dos outros bens. Pelo contrário, a opção pela “sabedoria” conduziu-o por um caminho que lhe proporcionou “todos os bens” e “riquezas inumeráveis” (vers. 11), pois a “sabedoria” está na base de todos eles. É ela que permite ao homem gozar os bens terrenos com maturidade e equilíbrio, sem obsessão e sem cobiça; é ela que ajuda a colocar os bens materiais no seu devido lugar, não deixando que sejam eles a determinar o sentido da vida do homem.
Há valores, mesmo efémeros, que são perfeitamente compatíveis com a nossa opção pelos valores de Deus e do Reino. Não se trata de nos fecharmos ao mundo, de desconfiarmos das coisas do mundo, de renunciarmos definitivamente às coisas boas que o mundo nos pode oferecer e que nos dão segurança e estabilidade; trata-se simplesmente de darmos às coisas o valor que têm, sem nos deixarmos iludir por aquilo que não é duradouro.
Através de Cristo, encarnado na história dos homens, a Palavra de Deus ecoou no mundo.
Essa Palavra não é um amontoado de frases ocas, vagas, estéreis, que uma vez ditas “entram por um ouvido e saem por outro”, sem tocarem as vidas daqueles que as escutam; mas é uma Palavra viva, atuante, desafiadora, transformadora, porque tem em si a força de Deus.
Ao penetrar nos corações, a Palavra de Deus conhece os mais profundos segredos do homem.
Avalia tudo o que se passa nesse centro vital, sede dos pensamentos, sentimentos e ações; avalia a sinceridade das posições que o homem assume na sua relação com Deus, com o mundo e com os outros homens.
E, depois de tudo avaliar e pesar, como juiz incorruptível e imparcial, pronuncia o seu julgamento sobre o homem.
A Palavra de Deus, mesmo que pareça frágil e débil, é uma força decisiva que enche a história e que traz ao homem a Vida e a salvação.
A Palavra de Deus, diz a segunda leitura deste vigésimo oitavo domingo comum, é viva, atuante, eficaz e renovadora.
Para Jesus, viver “com sentido” passa por respeitar a dignidade e os direitos dos irmãos e irmãs (“não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe”); mas, mais que tudo, aproxima-se da vida eterna quem se liberta da escravidão dos bens, está disponível para partilhar tudo o que tem com os irmãos que caminham ao seu lado, aceita tornar-se discípulo e seguir Jesus no caminho do amor que se dá até às últimas consequências.
A expressão “vida eterna” não define apenas essa outra vida que encontraremos no céu, quando terminarmos o nosso caminho na terra. Ela refere-se também à qualidade da nossa vida aqui e agora, à excelência da vida que construímos cada dia neste caminho marcado pela finitude e pela debilidade da nossa condição humana.
Jesus avisa aos discípulos que o “caminho do Reino” é um caminho contra a corrente, que gerará inevitavelmente o ódio do mundo e que se traduzirá em perseguições e incompreensões. É uma realidade que conhecemos bem.
Quantas vezes as nossas opções cristãs são criticadas, incompreendidas, apresentadas como realidades incompreensíveis e ultrapassadas por aqueles que representam a ideologia dominante, que fazem a opinião pública, que definem o socialmente correto.
ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE
SENHOR, que eu leve um projeto de vida vivida ao estilo de que Jesus oferece-me
Senhor liberta-me da escravidão das coisas,
Que eu saiba viver com o coração repleto de alegria e de paz;
Que minha vida seja marcada pela solidariedade, pela partilha,
pelo serviço aos irmãos oferece-nos, já aqui na terra,
Senhor, que eu sinta plenamente realizado, “cúmplice” de Deus
na criação de um mundo novo. Amém.
Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.