LITURGIA DA PALAVRA
PRIMEIRA LEITURA: Isaías 50,5-9a
SALMO RESPONSORIAL: Salmo 114 (115)
SEGUNDA LEITURA: Tiago 2,14-18
SANTO EVANGELHO: Marcos 8,27-35
TEMA: A REALIZAÇÃO PLENA DA PESSOA HUMANA PASSA PELA OBEDIÊNCIA A DEUS E PELO DOM TOTAL DA VIDA AOS IRMÃOS
A Palavra de Deus neste 24.º Domingo do Tempo Comum responde-nos questão da realização plena do homem que passa pela obediência aos projetos de Deus e pelo dom total da vida aos irmãos.
A primeira leitura traz-nos a palavra e o drama de um profeta anónimo, que no cumprimento da sua missão, enfrenta a incompreensão, a prisão, a tortura, a condenação. Apesar de tudo isso, o profeta não sente que a sua vida tenha sido um fracasso. Está absolutamente convicto de que Deus virá em seu auxílio e fá-lo-á triunfar sobre a perseguição e a morte. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Deus” a figura de Jesus.
O Evangelho apresenta Jesus como o Messias de Deus, enviado pelo Pai para indicar aos homens o caminho que conduz à Vida verdadeira. Ora, segundo Jesus, o caminho da Vida plena e definitiva é o caminho da cruz, do dom da própria vida, do amor até ao extremo. Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.
Na segunda leitura, um “mestre” cristão lembra aos seus irmãos na fé que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos.
O profeta/servo que, sem hesitar, põe a sua palavra e a sua vida ao serviço da libertação dos seus irmãos – mesmo que isso implique para si próprio sofrimento, perseguição e humilhação – deixa-nos um desafio que não podemos ignorar… Vivemos cercados por ilhas de miséria e de dor onde tantos e tantos irmãos nossos permanecem prisioneiros; passamos a cada passo por homens e mulheres abandonados, esquecidos, atirados para as margens da história, privados dos seus direitos e dignidade; assistimos diariamente à crucifixão de tanta gente que luta contra os sistemas de opressão e de morte.
O profeta/servo da nossa leitura garante-nos que nunca desistirá da missão que lhe foi confiada porque confia em Deus: sabe que Deus estará sempre com ele e que nunca o desiludirá.
A adesão a Jesus e ao seu projeto (fé) significa que o homem está disposto a acolher essa Vida nova e plena que Deus, gratuitamente e sem condições, lhe oferece (salvação).
Essa vida, interiorizada e assumida, tem de transparecer em gestos concretos de amor, de solidariedade, de fraternidade, de serviço, de partilha, de perdão.
Aderir a Cristo (fé), significa conformar, a cada instante, a própria vida com os valores de Cristo, seguir Cristo a par e passo no caminho do amor a Deus e da entrega total aos irmãos. Não se pode fugir a isto: a nossa caminhada cristã não é um processo teórico e abstrato concretizado num reino de belas palavras; mas é um compromisso efetivo com Cristo que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irmãos.
Jesus tornou-se um de nós para concretizar os planos do Pai e propor aos homens – através do amor, do serviço, do dom da vida – o caminho da salvação.
Neste texto fica claramente expressa a fidelidade radical de Jesus a esse projeto. Por isso, Ele não aceita que nada nem ninguém O afastem do caminho do dom da vida: dar ouvidos à lógica do mundo e esquecer os planos de Deus é, para Jesus, uma tentação diabólica que Ele rejeita terminantemente.
A identidade cristã constrói-se à volta de Jesus, do seu Evangelho, da sua proposta de vida. O seguidor de Jesus não vive fechado na sua zona de segurança, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é que significa, exatamente, renunciar a si mesmo? Significa renunciar ao seu egoísmo e autossuficiência, para fazer da vida um dom a Deus e aos outros. O discípulo de Jesus não pode viver fechado em si próprio, prisioneiro dos seus interesses e critérios pessoais, preocupado apenas em concretizar os seus projetos de riqueza, de segurança, de bem-estar, de domínio, de êxito, de triunfo… Aquele que opta pelo seguimento de Jesus passa a viver como Ele, colocando toda a sua existência ao serviço do projeto de Deus e do bem dos irmãos.
O que é que significa “tomar a sua cruz” e seguir Jesus? “Tomar a cruz” é estar disponível para fazer da própria vida, até às últimas consequências, um dom de amor. Foi isso que Jesus fez. Mas Jesus não viveu essa entrega por amor apenas no calvário; Ele gastou toda a sua vida, desde o seu nascimento até à sua morte, a fazer o bem.
Tomar a própria cruz e seguir Jesus é fazer de toda a vida – diariamente, vinte e quatro horas por dia e não apenas pontualmente – um dom de amor, ao serviço de Deus e dos irmãos.
Jesus também convida os seus discípulos a tomarem a cruz… O que é “tomar a cruz”? É amar até às últimas consequências, até à morte, se for necessário; é gastar cada instante da vida a servir, a amar, a cuidar, a fazer o bem…
O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.
ORAÇÃO E COMPROMISSO PESSOAL NA IGREJA E NA SOCIEDADE
SENHOR, abri minha mente, meu coração para conhecer, acolher, seguir e
amar Jesus até às últimas consequências.
Senhor, que eu saiba que o caminho do meu discipulado é tomar a minha cruz
e seguir Jesus cada dia da minha vida.
Que eu anuncie e testemunhe que Jesus Cristo é Verdadeiro Homem e
Verdadeiro Deus; É o Messias do Deus vivo. Amém.
Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.